quinta-feira, 4 de julho de 2013

Sem Ponto

Voltar.
voltar não tem ponto
nenhum caminho é ponto
nenhuma palavra
nem estrada
não há pausa
cessar não existe
Voltar
Enxugar da terra os olhos
ter as mãos e das mãos
o círculo negro
esfera polida
desce
íngreme ladeira
sem volta
Voltar
Vou
Vai
Estar
Altar
corrigido em forros
malha dedicada
tecida, talhada
faz teia
e dilacera
o tempo amarelo
de um passar
de fios
Fios
Vejam
Fios
Vão
Voltam
E o que nos desce
caso fosse oferecer
É um ponto
Voltar
não tem pontos
Desta ladeira
escorrega fácil
feito este amor
tecido
e esquecido
tal como teia
que atrasa
dos ventos
não ter pontos
O que sinto
se sinto
não tem ponto
é fio que traça
é volta que quer ir
despontada
Numa serra
declinada
ladeira abaixo
Uma gota
que não sai
sem ter fim


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