terça-feira, 9 de abril de 2013



Hoje o que caminha é uma larva fria
despencando em casulos abertos
ao desembarque sereno do chão
sem um trincar nem ruído se ouve

Rasteja tua insignificância 
pelas frestas de um olhar de cão

Há também outras larvas
cobrindo um corpo vazio
Colar feito de oco
dentro de madrepérolas

Me empresta tua perna
manca que me apoio 
indo em busca
de uma coisa
que mete medo,
diz de onde vou

Tardo


Ensina-me as redes, pescador
Desejo a fisga que nada me empresta
Ensina-me o chão, olhar de terra
Descuido do que não pesco
E quedo nas frias vagas de teu leito
Um peixe que me olha vazio

Quando alta maré tu te pões a sonhar,
Ensina-me as redes que te deita
Quero os juncos retidos em teu peito
As colunas secas também as quero
Essas que sustentam varandas tardias
Onde tu te reclinas a cochichar no tempo

Ensina-me o que vê tuas crianças
Quando sais ao mar 
e delas, sobra o que não vê
Serei então sobras das tuas
redes que retornam
Ao olhar de quem te espera

o destino ser palavra diz de sina

dis
des
in
a

disdesina

uma não palavra inteira

domingo, 7 de abril de 2013

Céu

Olhe o céu. Olhe novamente e outras vezes mais até que ele esteja esgotado de ser céu.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Abril

Pequenas rãs na caixa d'água
tomando a boia como cais
provando a onda
Liturgia de poucas horas
e acalma, 

numa forma desencontrada

Nos vimos sob a copa de
uma esquina
de lá ou de cá
trombamos olhares
que se derramaram 
conforme a chuva

Te apresentei
tico-tico

te pude cem
o que eu tinha

Abril, essa rua 
de uma festa
que não pude ir

o vestido me apertava
senti náusea
ao passar pela barbearia
não pela navalha
Era Abril.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Antes é não saber.
Poema pra Annaline Curado